Ano: 2005
País: Estados Unidos da América
Género: Terror
Realização: Eli Roth
Intérpretes: Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonson, Takashi Miike
Sinopse: Amigos de faculdade, Paxton e Josh, viajam de mochila às costas através da Europa, ansiosos pelas clássicas memórias de viagem com o seu novo amigo Oli, um islandês.
Eventualmente, Paxton e Josh são atraídos por um viajante para o que é descrito como “uma terra onde corre leite e mel para os mochileiros americanos”: uma estalagem numa remota cidade eslovaca, cheia de mulheres europeias de Leste tão desesperadas quanto bonitas. Os dois amigos chegam e emparelham facilmente com Natalya e Svetlana. De facto, demasiado facilmente. Inicialmente distraídos pelo bom bocado que estão a passar, os americanos depressa se encontram numa situação cada vez mais sinistra..
Classificação: 3 (Bom)
Opinião pessoal: Se tivermos em conta o filme per se, este resumir-se-ia apenas a cenas altamente sanguinárias. Não obstante, parece-me, quer revelar muito mais da sua dita e aparente superfluidade, isto porque mostra, macabra e provavelmente, o lado mais tenebroso do ser humano: o poder da manipulação no/do outro, o poder subjugado da vida humana, o poder pelo medo e pelo terror do outrém, o poder do/pelo (simples) poder. Neste filme, uma vez mais, talvez porque tal aconteça mais vezes do que eu pensava ou simplesmente sou eu que ando mais sensível a este respeito, vi aquilo que Kundera designa de Kitsch, a dita negação total do inaceitável da humanidade. Mas neste caso não se trata de uma ironia, de uma moralidade, mas sim de um princípio básico assente nos direitos da humanidade. Tudo isto porque é deplorável àquilo a que se assiste neste filme, e só uma mente perversa e mentalmente perturbada é capaz de, tranquilamente, cometer tais atrocidades. Na minha perspectiva, segue muito a linha sadomasoquista negativa mais extrema (se é que se pode assim classificar algo desta natureza), multiplicado talvez por mil, já que o Sadomasoquismo delibera respeito e consentimento mútuo de práticas, sem que haja, afinal, questões explicitamente sexuais aqui envolvidas.
A parte final, creio, exibe-se fácil e fantasiosa (é que nem lembra ao diabo o raio do “cirurgião” escorregar aquele sangue!), mas lá no fundo, àquela altura, não pretendia nada mais do que uma coisa: Justiça.
É um filme um pouco parvo, é certo, mas a verdade é que acaba por nos fazer pensar naquilo que, sempre por questões monetárias ou mero jogo psicopatológico, parte da humanidade faz e, por sua vez, que a outra esconde. É um constante ciclo vicioso de estados-limite.
Escrito por philobiblon